Home office: liderar e motivar a equipe a distância em tempos de isolamento social

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Aline Barbosa e Marcello Romani-Dias, professores doutores e especialistas em Estratégia Empresarial da ESEG

Vemos, em virtude da pandemia pela qual estamos passando, um adiantamento do trabalho remoto em pelo menos cinco anos no país. Apesar de algumas empresas e colaboradores já terem em sua cultura o home office, a quantidade de trabalhadores nessa modalidade ainda é ínfima. O momento faz com que o olhar para essa prática aumente, que os líderes intensifiquem a motivação dos colaboradores e melhorem suas habilidades e competências frente a tecnologia.

Segundo a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018 constavam apenas 5,2% dos trabalhadores em home office. Ainda que indique o maior aumento desde 2012, quando o estudo começou a ser realizado, a modalidade tem espaço para crescer.

Mesmo que o trabalho aconteça remotamente, os líderes possuem papel importante para manter o desenvolvimento da equipe e de cada colaborador. Entendemos que a motivação em período de isolamento é fundamental, pois se a pessoa não tinha essa cultura ela pode se sentir deslocada da equipe. Por isso, o líder precisa ter um posicionamento de acordo com cada liderado - é o que chamamos em gestão de líder situacional. Além disso, o acompanhamento deve estar voltado ao desenvolvimento e não ao mero controle e fiscalização do serviço.

Papel da liderança
Com esse novo cenário, os trabalhadores precisam, entre outras coisas, aprender a gerir seu tempo. Enquanto nas empresas parece ser mais fácil manter a concentração, produzir e sentir-se parte da equipe, no trabalho remoto essa gestão fica um pouco mais difícil por conta da presença de familiares. Os trabalhadores remoto, além desses pontos, exigem da liderança motivar, apoiar e gerenciar sua equipe.

Acreditamos que o gerenciamento deve ser diferente do que se entende por fiscalizar. Dependendo das ferramentas que os colaboradores usam, é possível verificar a hora em que ficou logado ou se entregou as atividades que precisava realizar. Entretanto, preocupar-se com o ambiente que esta pessoa tem em casa, se tem acesso fácil ao telefone e internet passa a fazer parte da rotina do líder.

Algumas empresas contém um acompanhamento contínuo do desenvolvimento do colaborador e manter essa prática é uma atitude que pode motivá-lo. Assim, ele se sente acolhido.

Identificar as necessidades do liderado pode ser uma boa estratégia para auxiliá-lo. Se a questão é conciliar tempo entre trabalho e família, quais sugestões o líder poderá oferecer para dar apoio? Em muitos casos, só de notar a preocupação sincera já é válido.

Não queremos dizer que a preocupação pelas atividades do trabalho não devem existir. Ela deve acontecer para verificar a produtividade, mas conciliada com novas competências do líder. Aliás, defendemos que este olhar para a pessoa deve existir tanto no trabalho remoto quanto no presencial.

Direcione sua equipe
A equipe precisa saber qual o propósito de seu serviço. Quando o colaborador tem clareza de como sua função é aplicada no produto ou serviço final, ele fica mais motivado e sua produtividade tende a aumentar.

Por isso, o líder deve utilizar os valores da empresa, para que a equipe se mantenha adequada em um todo. Além de ter uma comunicação direcionada com cada um, também é importante fazer reuniões com todos, como equipe.

Essa interação não deve ser realizada só por mensagens “off-lines”, quando a pessoa pode ver a qualquer momento o que foi enviado. Em outras palavras, a conversa também deve ser realizada de forma “on-line”, ao vivo, para que todos se sintam próximos.

Lidere de acordo com a situação
A chamada liderança situacional é fundamental para esse momento. Pois permite que o líder se adeque de acordo com as particularidades de cada liderado. Ou seja, enquanto uma pessoa é proativa, colabora e trabalha bem sem supervisão mesmo diante dos problemas, enquanto outra precisa de um direcionamento e são menos coletivistas.

Essa teoria de comportamento foi elaborada por Hersey e Blanchard (1986) e podemos aproveitar seu estudo para liderar melhor quando o assunto é trabalho, e até ensino, a distância. Tanto líderes quanto professores devem identificar quais são os perfis de liderados e alunos se enquadram e adequar seu estilo, sendo mais um ponto de motivação para a situação.

Se a equipe é grande, pode-se entrar em um meio termo com videoconferências semanais para acompanhar o trabalho de todos. Entretanto, o feedback individual deve acontecer de forma rápida, mesmo que por meio de mensagem off-line.

Valorize a capacitação
Para o desenvolvimento dos liderados, disponibilizar capacitações é uma forma de incentivo. Por exemplo, para instituições de ensino que não possuíam curso ou disciplina a distância, pode-se oferecer um treinamento para que os professores façam bom proveito desse modelo. Neste cenário, professores que nunca haviam entrado em estúdio estão adquirindo, então, uma nova capacidade com o advento de videoaulas.

Empresas podem aproveitar cursos relevantes para a atuação do colaborador no período em que ele estaria se deslocando para o local de trabalho. Dessa forma, a capacitação agrega e não atrapalha as atividades separadas para aquele dia.

Motivar, mesmo que os benefícios não venham agora
Além de todas as ações comentadas que podem motivar o liderado, a liderança pode mostrar boas expectativas sobre o futuro. Entendemos que a atual situação de isolamento social vai acabar dentro de alguns meses, e quem fez o seu papel com responsabilidade, continuou entregando e atingindo seus objetivos vai ser recompensando. Mesmo diante das dificuldades econômicas impostas a nós pela pandemia.

Manter essa mensagem clara aos colaboradores é fundamental. Outra vertente é motivar pela justiça, em que o líder incentiva que cada um faça sua parte, eticamente, por meio de trabalho remoto e pensamento coletivo.

Em nossa visão, motivar por dinheiro ou algum tipo de benefício não é adequado agora. No momento em que vivemos, aumentar salário ou dar bônus não é possível para a maioria das empresas, que lutam para manter o quadro de funcionários. Por isso, motivar por expectativas com relação ao futuro ou pela justiça parecem ser as melhores saídas para superarmos o delicado momento que estamos enfrentando.